27/02/2025
Adriane Vasconcellos – Equipe CNU
Cientistas brasileiros da Uninter colaboram em um estudo inovador sobre asteroides, que poderá desvendar segredos da origem do Sistema Solar e impulsionar e o futuro da exploração espacial. O Observatório Remoto Campos dos Goytacazes (ORCG) teve um papel fundamental na coleta de dados que apoiarão a missão Lucy, da Agência Espacial dos Estados Unidos (NASA), na investigação dos asteroides “Troianos de Júpiter” em 2033.
O estudo conta com a contribuição do professor da Escola Superior de Educação, Humanidades e Línguas (ESEHL) e do Programa de Pós-graduação em Educação e Novas Tecnologias (PPGENT) da Uninter Daniel Guimarães Tedesco, além do astrônomo amador e egresso do curso de bacharelado em Física Carlos Henrique de Oliveira Barreto.
Os profissionais publicaram os resultados de suas observações realizadas entre setembro e outubro de 2024 no artigo CCD Photometric Observations of 617 Patroclus-Menoetius Mutual Events (Pg: 64-69), divulgado no Minor Planet Bulletin, um importante periódico científico, com foco em informações teóricas, observacionais e históricas sobre o estudo de planetas menores.
A pesquisa de Daniel e Carlos Henrique se concentrou nos asteroides Patroclus-Menoetius, alvo programado da missão Lucy, e que se encontram próximo ao planeta júpter. Para o estudo, os cientistas utilizaram técnicas avançadas de fotometria CCD, que mede a luminosidade dos asteroides para entender seu tamanho, rotação e características físicas. Além disso, analisaram também eventos mútuos como eclipses ou ocultações, a fim de observar como os asteroides se movem e interagem em seu ambiente.
Os asteroides “troianos de júpiter”, foco desse estudo internacional, são rochas espaciais de variados tamanhos que compartilham suas órbitas com as de algum planeta ao redor do Sol. Os troianos mais conhecidos são os de Júpiter, que possui dezenas de milhares à sua frente e atrás do planeta. Até agora, pouco se sabe sobre esses asteroides, já que poucas naves foram até lá. Foi só em outubro de 2021 que a NASA enviou a missão Lucy, com a tarefa de estudar oito dessas rochas misteriosas.
Os dados obtidos na colaboração internacional são essenciais para o sucesso de Lucy. A sonda fará um percurso de cerca de 6,3 bilhões de quilômetros ao longo de 12 anos para estudar esses asteroides únicos.
Os “troianos de Júpiter”, por serem considerados asteroides fósseis do sistema solar primitivo, podem conter pistas sobre a origem de sua formação. Os resultados obtidos pela missão espacial, ajudarão cientistas a planejar novas missões e entender melhor a dinâmica desses corpos celestes.
A participação de cientistas brasileiros nesta investigação é uma solicitação feita pelo renomado astrônomo e professor de Ciências Planetárias do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Richard Binzel.
Binzel é amplamente reconhecido por suas contribuições à astronomia, incluindo: a descoberta de planetas menores; a expertise em fotometria astronômica; e a criação da Escala de Turim, um método que categoriza os riscos de impacto de objetos próximos à Terra, como asteroides e cometas.
Para Carlos Henrique, a observação de asteroides é crucial para a segurança planetária. Além disso, também destaca que o estudo dos asteroides nos ajuda a compreender a origem do universo e vislumbrar novas possibilidades para o futuro.
“Muitos deles (asteroides) são remanescentes da formação dos planetas, contendo materiais que datam de bilhões de anos. Eles podem oferecer informações sobre a origem da água e até mesmo da vida na Terra. Além disso, podem servir como potenciais recursos futuros, que poderão ser explorados à medida que a tecnologia avance”, aponta o físico.
Para Daniel, a colaboração no estudo e o “reconhecimento internacional da Uninter demonstram sua capacidade de formar profissionais competentes na pesquisa científica. O estudo fomenta a interdisciplinaridade, estimula novas colaborações e expande o potencial de divulgação científica e inovação tecnológica da instituição”, ressalta o cientista.
O Observatório Remoto de Campos dos Goytacazes (ORCG) é um projeto idealizado por Carlos Henrique Barreto, hoje em parceria e mantido pela Fundação Wilson Picler, proporcionando a estudantes e professores a oportunidade de desenvolver pesquisas e projetos na área da astronomia.
Edição: Larissa Drabeski
Créditos do fotógrafo: Carlos Henrique Barreto